Novo recurso de identificação de chamadas visa aumentar a segurança, mas limitações no VoLTE deixam milhões de clientes da Claro sem acesso
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou o lançamento do sistema “Origem Verificada”, uma função inovadora para identificar chamadas de empresas em smartphones, exibindo nome, logo e motivo da ligação. A medida visa oferecer aos usuários maior segurança e reduzir fraudes e spam telefônico, com protocolos avançados como STIR/SHAKEN e RCD, adotados em países como Estados Unidos e Canadá. No entanto, a implementação esbarra em um obstáculo significativo: pelo menos 35 milhões de clientes da Claro estão impossibilitados de usar o recurso devido a limitações de acesso à tecnologia VoLTE (Voz sobre LTE), essencial para o funcionamento do sistema.
Para que o Origem Verificada funcione, é necessário que o usuário esteja em uma rede 4G ou 5G com o VoLTE habilitado, tecnologia que permite chamadas de voz pela rede 4G. Esse recurso, entretanto, não está disponível para todos os clientes da Claro. Embora outras operadoras brasileiras, como TIM e Vivo, tenham expandido o VoLTE para todos os seus planos, a Claro ainda restringe o uso dessa tecnologia aos clientes pós-pagos, deixando de fora uma grande parcela dos usuários, especialmente os de planos pré-pagos e controle.
Segundo dados de setembro de 2024 da Anatel, a Claro conta com 88,2 milhões de clientes no Brasil. Destes, 35,03 milhões têm planos pré-pagos, o que os exclui do acesso ao VoLTE e, consequentemente, ao Origem Verificada. Além disso, muitos contratos do plano controle e Claro Flex — opções mais acessíveis financeiramente — também não têm acesso à tecnologia, limitando ainda mais o público apto a utilizar o novo identificador.
A tecnologia VoLTE foi desenvolvida para permitir chamadas de voz em redes 4G, que, originalmente, suportavam apenas dados. Além de possibilitar o uso do Origem Verificada, o VoLTE traz vantagens como qualidade superior de som e menor tempo de conexão em chamadas. No entanto, a Claro começou a disponibilizar a tecnologia apenas em 2019 para clientes pós-pagos em áreas restritas, enquanto a TIM e Vivo já ofereciam cobertura VoLTE em milhares de cidades.
Atualmente, Claro continua limitando o VoLTE a planos pós-pagos, enquanto TIM e Vivo estenderam a tecnologia a todas as modalidades de planos e regiões, tornando o acesso ao Origem Verificada uma realidade para a maior parte de suas bases de clientes. Na prática, isso significa que, enquanto a nova funcionalidade é anunciada como um avanço na segurança digital, milhões de brasileiros usuários da Claro não poderão usufruir dela.
Para que todos os clientes tenham acesso ao Origem Verificada, a Claro precisará expandir o VoLTE para todas as suas modalidades de planos. A pressão para inclusão tecnológica e a crescente demanda por maior segurança em ligações telefônicas podem acelerar esse processo, mas, por enquanto, milhões de brasileiros permanecem fora dessa importante inovação.
Fonte: Tecnoblog
